Timidez

A timidez é considerada um estado anímico, não uma enfermidade, caracterizado por sensação de desconforto, inibição, retraimento, insegurança, ansiedade, tensão, que afeta as relações interpessoais, limitando o desenvolvimento social, profissional, as relações afetivas.

Características de uma pessoa tímida: insegurança, temor pelo o que os outros possam pensar ou dizer (sobre seus comportamentos, suas amizades, sua vida…), baixa autoestima, receio frente a figuras que representem autoridade (temor do julgamento), receio em expressar suas idéias e pensamentos, necessidade de agradar os outros e de não “errar”, vontade de não ser notada, ansiedade e desconforto em situações sociais, vergonha.

Psicodinamicamente a timidez pode estar associada à erotização inconsciente das situações e relações interpessoais associadas a uma resolução incompleta da problemática edipica (que também se expressa pelo rubor, pelo sentimento de vergonha, dificuldade em lidar e expressar interesse sexual, tomar iniciativas). Existiria a expectativa de uma avaliação social negativa que incrementaria a ansiedade, a inibição, o stress e a já claudicante autoestima. Existe também a dificuldade de olhar nos olhos dos outros (vergonha) e dificuldade em lidar com desejos e impulsos sexuais, o que também dificultaria a relação com parceiros amorosos.

A timidez pode apresentar-se em diferentes níveis de intensidade, o que por vezes a torna patológica, apesar de não ser considerada uma enfermidade. Determinadas situações novas, ambientes estranhos, pessoas desconhecidas em geral despertam certa inibição e cautela, que são naturais e que funcionam como um regulador social.

A timidez pode evoluir, quando muito intensa, para alterações cognitivas, afetivas, condutas obsessivas em relação às próprias atitudes, pensamentos e reações dos outros, com a perda da espontaneidade. Quando a timidez impede o enfrentamento, podemos pensar em disfunções psíquicas, como a fobia social, a síndrome do pânico.

Cabe salientar que muitas vezes a insegurança, o retraimento, a evitação de ambientes socais podem ser sintomas de outras psicopatologias, merecendo ser investigada quando limita o funcionamento social e afetivo da pessoa, causando prejuízos.

Uma criança tímida, criada em um ambiente rígido e autoritário, sem espaço para expressar-se e conhecer-se pode levar o sentimento de inadequação para sua vida e relações, com grande temor de figuras que representem autoridade (vivenciada como castradora), tendendo a procurar discretamente agradar.

E questionável a relação direta timidez/ introversão, penso que a timidez se relacione mais com a baixa autoestima.

Algumas terapêuticas: análise, psicoterapia psicodinâmica, terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, programas neurolinguisticos – que trabalharão aspectos diferentes da problemática, em níveis mais ou menos superficiais.

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