Avaliação Psicológica Infantil

                 A avaliação psicológica caracteriza-se por um processo, com bases científicas, rigor metodológico, que pode ter diversas finalidades, dependendo dos objetivos pelos quais está sendo solicitada.

                 Pode ser utilizada no âmbito clínico, escolar, judiciário, possibilitando uma melhor  compreensão das necessidades da criança naquela etapa do desenvolvimento e dentro de seu ciclo de vida familiar, explorar suas dificuldades, seus recursos internos para enfrentá-los, seus recursos no ambiente familiar e as potencialidades da criança, buscando-se discutir com pais e responsáveis formas propícias de abordagem da problemática apresentada.

                No desenvolvimento infantil a relação com as figuras que representam pai e mãe (parentais) são de fundamental importância, pois através da ótica desses a criança aprende a ver o mundo; o nível e forma de expressão que pode dar a seus sentimentos, anseios, medos; vivenciando internamente a possibilidade ou não de estabelecer um sentimento de segurança que a ajudará a desenvolver um conceito positivo de si.

                Por essas e outras razões a presença dos pais  na avaliação faz-se tão  importante, não só pelas informações que podem fornecer ao psicólogo sobre o desenvolvimento da criança, mas para que o profissional possa observar a forma como a família se refere a mesma, o quanto a valoriza, discrimina, incrimina, desvaloriza, idealiza ….

                Considero que a partir desse primeiro momento de contato com os pais, das dificuldades referidas, das suas expectativas e anseios, o psicólogo tem ainda a visão da criança pela ótica dos pais.

                Quando conhece a criança, ela pode ou não corresponder a essa imagem concebida a partir do relato dos pais e da percepção do avaliador. Ela precisa ser vista por sua própria ótica, ouvida da forma como consegue expressar suas necessidades, medos e anseios, ela precisa se ver nos olhos do avaliador como um ser único. Nesse sentido, ouvir o porque a criança acha que os pais a trouxeram, a forma como conta suas experiências e estórias, como articula seu relato, ocupa o espaço da sala, brinca, explora, permite que o profissional conheça melhor seus recursos, barreiras, expectativas.

                Em alguns casos, completa-se essa avaliação com uma entrevista com a família, não sendo necessário o uso de outras técnicas mais estruturadas de avaliação como escalas, testes projetivos… Conseguimos fazer as devolutivas necessárias e os encaminhamentos mais propícios.

                Em outros casos, de acordo com a complexidade e demanda, além da entrevista como os pais e/ou família, da observação lúdica com a criança, utiliza-se também escalas ou testes psicológicos, que por suas especificidades ajudarão a aprofundar a análise.

                Esses instrumentos podem avaliar o desenvolvimento neuropsíquico, a esfera cognitiva (atenção, memória, concentração, desenvolvimento espacial, habilidades verbais e numéricas, habilidades escolares), a esfera emocional (ansiedade, estados de humor, impulsividade, formas  de reação, autoestima, esquema corporal), capacidade de adaptação e forma de resolução de problemas.

                Os instrumentos a serem empregados dependerá do objetivo da avaliação, sendo que o resultado deve ser expresso sempre no sentido de uma melhor abordagem da questão, e nunca de uma rotulação. Cabe notar que a criança está em continuo desenvolvimento, descobrindo o mundo e se descobrindo, sendo que aquilo que pode ser difícil hoje seja apenas uma fase, que se bem conduzida possibilitará um desenvolvimento mais pleno de seus potenciais e recursos.

                Por outro lado,  porém, por meio da avaliação também se pode detectar problemáticas que possam prejudicar o desenvolvimento e que precisem de intervenções imediatas, a fim de serem compreendidas e acompanhadas.

                A avaliação sempre desperta temor nos pais, pois não sabem com o que depararão no final, mas de qualquer forma a problemática sempre envolverá a participação da família para sua compreensão e busca de ajustes mais adaptativos. Quanto melhor a dificuldades forem detectadas e abordadas, maiores serão as chances de um desenvolvimento psíquico mais saudável.

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