Reflexões sobre a exposição dos filhos nas redes sociais

 

                 Curtir bons momentos ao lado dos filhos, falar sobre suas conquistas, experiências, travessuras, exibir seu rostinho lindo… tudo isso acalenta o ego de qualquer mãe.  Tanto que existem grupos exclusivos de mamães e papais que vivem postando e trocando experiências sobre os filhos e até blogs.

                Mas e para os filhos, como isso é vivenciado? Existe uma análise crítica do que é postado em redes sociais, WhatsApp, Youtube?

                Por vezes os pais se acostumam a postar sobre a vida do filho desde que este ainda está no ventre, empolgados com sua chegada e assim continuam sem se dar conta de seu crescimento.

                A criança aos poucos vai construindo seu próprio círculo social – colegas da escolinha, do prédio,  família, primos… enfim realizando suas próprias escolhas e forma de se expor, se relacionar de acordo com sua faixa etária, alguns de forma mais tímida, outros de forma mais extrovertida.

                Como será que ela e seus coleguinhas lidam com as exposições – como se  sentem ao verem seus familiares contando a sua vida? Será que a criança gostaria que tudo fosse exposto? Esse material pode lhe causar constrangimento, torná-lo alvo de Bullying cibernético ou  presencial?

                As crianças desde cedo fazem brincadeiras das situações vividas, algumas vezes saudáveis, outras não. Uma coisa é isso permanecer no grupo, outra propagar-se na internet.

Quando a criança percebe que tudo é exposto, ela também se sente no direito de expor sua intimidade e a dos outros, sem críticas, sem empatia – o que é um passo para as dificuldades de relacionamento.

                A linha divisória entre o privado e o publico não fica estabelecida, podendo inclusive comprometer a relação com os pais, abalando o sentimento de confiança e a possibilidade de se aproximar e expressar suas dúvidas e dificuldades, sentindo-se traída.

                 Esse conteúdo fica arquivado por anos, fugindo do controle de quem o posta, podendo colocar a família, a criança, seus companheiros em situações de risco quando a rotina é revelada: lugares frequentados como clubes, escolas, cursos, possibilitando traçar um mapeamento que nem sempre se sabe por quem e como será usado. Pode-se também utilizar esse material para fins pouco lícitos, como montagens e pornografia infantil.

                Quando se filma ou fotografa o filho com outras crianças, em geral nem se pensa se os pais dos coleguinhas assim o desejam, esquecemo-nos do direito de imagem, do direito de privacidade do outro.

                À medida que a criança cresce deve-se conversar com a mesma sobre o que será postado, para que, como e se ela o deseja – estaremos nesse gesto não somente ensinando-a a preservar sua privacidade, como também a desenvolver a crítica e a respeitar a privacidade do outro.

                A vida nas redes sociais sempre se parece com um jardim encantado, onde todos são felizes, bem sucedidos. Sem uma conversa constante sobre isso, como a criança poderá perceber que esse faz de conta não condiz com a realidade, como poderá lidar com suas dificuldades e frustrações?

                Temos aqui mais um desafio dos tempos modernos, que diz respeito a como os pais lidam com tanta tecnologia e virtualidade na preservação da intimidade familiar.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>